Perfil epidemiológico e preditores de mortalidade de uma unidade de terapia intensiva geral de hospital público do Distrito Federal

Autores

  • Cláudio Mares Guia Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)
  • Rodrigo Santos Biondi Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Santa Helena-DF
  • Sidney Sotero Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)
  • Alexandre de Almeida Lima Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)
  • Karlo Jozefo Quadros de Almeida Coordenação de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPECC/ESCS/FEPECS/ SES-DF)
  • Fábio Ferreira Amorim Coordenação de Pós graduação e Extensão da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPEx/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

DOI:

https://doi.org/10.51723/ccs.v26i01/02.156

Resumo

Objetivo: Descrever dados epidemiológicos e principais desfechos de pacientes admitidos em uma unidade de terapia intensiva de um hospital público do DF.
Métodos: Estudo observacional retrospectivo que incluiu todos pacientes admitidos na UTI do Hospital Regional do Paranoá (Brasília- DF) no período de abril/2004 a março/2009. Foram avaliados idade, gênero, local de residência, motivo da internação, APACHE II, dependência para mobilidade prévia à internação na UTI, uso de aminas vasoativas, necessidade de ventilação mecânica invasiva, tempo de ventilação mecânica, úlcera de pressão no momento da admissão e alta da UTI, tempo de internação e mortalidade na UTI.
Resultados: Foram incluídos 189 pacientes com APACHE II de 31,6±10,6 e idade de 77,4±10,9 anos. A maioria dos pacientes eram idosos. 179 apresentavam idade superior a 60 anos (94,6%), 71 (37,5%) dos quais tinham idade acima de 80 anos. Os principais motivos de internação foram as doenças respiratórias (28,6%, N=54), fratura de quadril (27,5%, N=52) e doenças cardiovasculares (15,6%, N=30). Nessa amostra, a mortalidade foi de 38,6% (N=73). Os pacientes
não sobreviventes apresentaram maiores APACHE II (36,5±10,8 versus 28,1±9,4, p=0,00), tempo de internação na UTI acima de 2 semanas (45,2% versus 30,2%, p=0,04), dependência funcional para mobilidade (48,8% versus 8,2%, p=0,04), necessidade de aminas vasoativas (71,4% versus 14,4%, p=0,00) e uso de ventilação mecânica invasiva (69,5% versus 8,9%, p=0,00).
Conclusão: A população de idosos (acima de 65 anos) e muito idosos (acima de 80 anos) constituíram a maior proporção dos pacientes admitidos. A mortalidade foi elevada e esteve associada ao grau de severidade da doença aguda e ao estado funcional prévio do paciente à admissão.

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Biografia do Autor

Cláudio Mares Guia, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

Médico Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Médico da UTI adulto do Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

Rodrigo Santos Biondi, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Santa Helena-DF

Médico Anestesiologista e Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Médico Rotineiro da UTI do Hospital Santa Helena-DF

Sidney Sotero, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

Médico Cardiologista e Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Chefe da UTI adulto do Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

Alexandre de Almeida Lima, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

Médico Cardiologista e Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) Chefe da UTI adulto do Hospital Regional do Paranoá (SES-DF) 

Karlo Jozefo Quadros de Almeida, Coordenação de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPECC/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

Médico Clínico. Coordenador de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPECC/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

Fábio Ferreira Amorim, Coordenação de Pós graduação e Extensão da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPEx/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

Médico Intensivista. Coordenador de Pós-graduação e Extensão da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPEx/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

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Publicado

22.03.2018

Como Citar

1.
Guia CM, Biondi RS, Sotero S, Lima A de A, de Almeida KJQ, Amorim FF. Perfil epidemiológico e preditores de mortalidade de uma unidade de terapia intensiva geral de hospital público do Distrito Federal. Com. Ciências Saúde [Internet]. 22º de março de 2018 [citado 15º de abril de 2024];26(01/02). Disponível em: https://revistaccs.escs.edu.br/index.php/comunicacaoemcienciasdasaude/article/view/156

Edição

Seção

Saúde Coletiva

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